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segunda-feira, 20 de abril de 2009

VÍBORAS

Como vencer estas víboras, que se enlaçam escamosas pelas caudas? Talvez guardem acessos seculares a tesouros e ciências. Talvez apenas promessas esquecidas em baús cobertos de memórias. Devo empunhar a adaga e degolá-las, correr o risco para talvez se ver o nada? Dentro destas galerias, rezo encontrar o escape, embora somente penhascos tenha visto. Convivo com estranhas sombras, das quais procuro um rosto sem saber dos traços. Ontem se inicia sempre no mesmo ontem, de forma que paralíticos são os relógios que aqui se encontram. Pergunto se dentro de mim ainda há uma fuga. Mas como vencer estas víboras, que se enlaçam escamosas pelas caudas? Acima de tudo, um estranho tudo vê, com olhos de ventania. Escondo-me entre brechas de pensamento, talhadas em rochedos ardilosos. Onde repousam as sementes prometidas, que ornarão meus precipícios?


(clicar em desenho)


terça-feira, 14 de abril de 2009

ESCORBUTO




Andarilho obtuso, pelo cascalho moldado, rumino castelos que se erigem até o sopro de uma impossibilidade. O castigo de secar em meio aos mares, me segue feito a língua bífida das serpentes, e me resta somente suportar a ruína da carne, até o encontro dos ossos. O sol me escalda, e mal sei se alucino ao ver meu fantasma por entre ramagens do deserto ou seriam ondas. Por que me estendo a mão, se não creio nas vertigens do espírito? Será minha fé tombada por colheitas perdidas? Afasto porções de silêncio sobre futuras pegadas. Uma brisa revela perfumes infímos de plantas frescas. Gaivotas salpicam o céu. Meus companheiros se animam, cantam e rezam. Longe, avisto nova terra, com promessas que serão desfeitas e desejos a serem suspensos. Chegamos. E Deus não tem nada a ver com isso.








quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

TRAMAS II



Pessoas evaporam na trama dos caminhos. Num dia falávamos a alguém, em outro, despenca o silêncio. A cadeira vazia dentro de nós. Penso um nó a encerrar destinos num espaço de resolução. Lugar de encontros e memórias contraídas. Penso neste bordado de vidas, enlaçadas sem desenho aparente. Penso de tão paralelos, jamais nos encontraremos. Uma pena. A vida é a eminência do desencontro. Pura geometria.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

TRAMAS

Neste hoje, faltaram dez palavras claramente essenciais. À tona, sequer um verbo que viesse do discurso das profundezas. Um ponto, no entanto, desfeito na trama do desejo. Nada que se verta em sintomas. Nada que implique em recalques. Um dia feito uma bula.