Mostrando postagens com marcador lírico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lírico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de abril de 2009

SEREIAS


Se você fosse
uma mentira,

talvez eu pudesse
ser sincero.

Diria o quanto
te quero

e o tanto que
te quereria

se os dias
fossem eternos.

Mas você é
uma verdade,

que arde.
Por isso

fico
atento e ermo.

Não direi
que te amo,

salvo
se for engano.

Cego por
teus encantos,

rezo para
que rasas

sejam as águas
em que afogo.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

MURALHAS


Entre muralhas de vento,
dormi sem repouso
um tempo quase eterno.

Ouvi ruínas de templos,
areias brancas e seus
cabelos em vôo.

Esperei tua voz, mas
o silêncio era uma adaga,
um inverno.

Sangrei a cada palavra
omitida na astúcia
de sua língua tácita.

Murcharam as glicínias
na aridez do campo
onde se travava o duelo

entre a raiva mais ácida
e o esquecimento mais terno.