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sábado, 1 de maio de 2010

narcísico



por tanto olhar que lhe atravessara, não mais se reconhecia, a não ser feito moldura, despojada de tintas ou fotos. não à toa, fazia-lhe tanto sentido correr aos espelhos, tatear o reflexo da boca no movimento ocluso de certas palavras, certificar-se de que ainda era, embora vazia. Criava, assim, estratégias que lhe confirmassem o mundo ou a sua presença, jamais as duas ao mesmo tempo, posto lhe fosse estrangeiro o relacional. quem sabe quando desapareceria? se é que um dia existira.


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sexta-feira, 16 de abril de 2010

materialismo

só não posso viver

sem meu corpo


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quarta-feira, 31 de março de 2010

o cotidiano
não deve ser


todo dia




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sexta-feira, 26 de março de 2010

inviolável

Não fora intenção trazer o segredo à órbita da claridade, antes abrir-lhe flancos, de tal sorte a tecer insinuações que gota a gota revelassem o motivo do silêncio. Descobrir através das penugens, territórios sensíveis e orifícios velados. Alardear a conquista de um palmo rumo à suposição de um entendimento, restando sempre o sentido do inacabado. O mistério não pela dúvida, mas pela ausência das perguntas certas. Desculpe-me, a luz nunca fora a intenção.


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sexta-feira, 19 de março de 2010


a escrita é a memória
de meus sentimentos


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indevassável

quando converso com ela, parece sempre que há dois idiomas
e fico sem saber em qual me surge o sentido

não raro escolho aquele que me sacia o desejo
e tão pleno de mim permaneço até
que nada mais compreendo

outras vezes me atento ao contrário
e tão seco me resto que entendo
o tanto quanto o surdo a voz

se eu lhe pedisse legendas
se me traduzissem as falas

mas e após? que graça restaria?
se seu encanto é a confusão
que me propicia?


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quinta-feira, 18 de março de 2010

o difícil da vida
é que não há


rascunhos


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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Enquanto a cidade ficava cada vez mais longe,
outras paisagens assumiam meus olhos.

Assim, aprendia a morrer e a nascer.

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