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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

adivinha

           

Às vezes, chega chutando portas
outras como pluma, caindo
em meia-lua. Quase sempre avisa.
Mas é preciso bons ouvidos,
tímpanos que ouçam para 
dentro da aorta.

Quando não, são águas no pescoço,

ou quem sabe, a luz de um parto.
Tem gente que o chama em
sussurros, preces, até aos berros.
Tem gente que o espanta, com
medo do estrago.

Alguns são para sempre e

fincam sementes. Outros são
para sempre momentaneamente.
Tem ventania e tempestade, enseadas
e oceanos, doces e salgados.

Aqueles que acontecem entre paredes,

aqueles que lotam estádios. Uns vem 
com chicote e algemas, assim como
há os de flores e poemas.

Alguns seguem em frente,

outros para trás.
Alguns exigem tudo,
outros nada mais.   


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

conflitos

[dos conflitos]


quando
os dentem falam

a boca
é quem sangra

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

atalhos

[dos atalhos]


se os atalhos
fossem fáceis



há muito
seriam estradas

sexta-feira, 16 de abril de 2010

materialismo

só não posso viver

sem meu corpo


*

quarta-feira, 31 de março de 2010

sementes


o sonho ficou na semente


restam apenas saudades
daquele amanhã


*
o cotidiano
não deve ser


todo dia




*

segunda-feira, 29 de março de 2010

se penso sem
ela no pensamento

o que me vem
é como assovio

do vento



*

sexta-feira, 19 de março de 2010

indevassável

quando converso com ela, parece sempre que há dois idiomas
e fico sem saber em qual me surge o sentido

não raro escolho aquele que me sacia o desejo
e tão pleno de mim permaneço até
que nada mais compreendo

outras vezes me atento ao contrário
e tão seco me resto que entendo
o tanto quanto o surdo a voz

se eu lhe pedisse legendas
se me traduzissem as falas

mas e após? que graça restaria?
se seu encanto é a confusão
que me propicia?


*

terça-feira, 16 de março de 2010

o pessimista

do chão
não se passa


mas talvez
se vaze



*

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

costas

pelas costas
nada vemos


antes
supomos


venenos



*

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

par perfeito

par perfeito
é aquele


que nos torna
ímpares



*

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

o tatu

tão
à toa

que
tu tá
tatu

cadê
tatoa
?

casou
com o
caititu





*

domingo, 13 de dezembro de 2009

réguas

pelo ralo
se esvai
a regra


não meço
tudo fica
ao olho


peso o
quanto
quero


sem saber
se valho
ouro


ou pedra
(não me
venha


com
tuas réguas)

domingo, 1 de novembro de 2009

enseadas





anseio por enseadas e
não oceanos


as águas são as mesmas
e a terra


nunca é engano
*

um alguém






daqui por
diante

meus dias
serão

diamantes


*


terça-feira, 20 de outubro de 2009

subjuntivo



que a vida
sempre
lhe reserve

o melhor
presente



*

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

os pés alados



teus pés
são como
pássaros


não pisam
apenas
pousam


voam e
despistam
rastros




*

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

temporal


por mais
que eu
ande

e deixe
para
ontem

o que
não
adianta

penso
se sigo
adiante

ou se
antes
ainda

é tempo



*

ausência




em meio
ao sal

e isso
nunca é


é
sempre



*

sábado, 19 de setembro de 2009

edemas

sem
celeumas

nem
dilemas

se no
peito


edemas

é porque
valeu

a pena



*