sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

arrozais





esta noite estou cansado
mas pleno de certezas
plantei o quanto posso
raízes  pássaros
poemas

sem pena das falanges
algum peso nos
meus ossos
plantei demais
rolou até edemas

esta noite estou cansado
mas feliz porque
fiz o que quis
porque foi
um tanto antes
e não o sempre para depois  

(olha aprendi
um dia não são dois)

esta noite
meu cansaço é alfazema
campos de arroz



alguém







 




que esteja comigo
com certeza
não pela metade

que aguente 
correr os riscos
relvas outras

paragens
que se disponha
aos rabiscos

às rasuras
em busca de
nosso verso

alguém que 
não seja 
apenas  perto

ou somente parte
alguém que
não seja

somente certo
mas verdade

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

acenos










o mesmo rosto
mas não a conheço

mudou quem me vê
por trás dos olhos
de todo dia

foi embora
sem despedidas
sem mais nem menos

sequer
um aceno

quinta-feira, 28 de março de 2013

inflados




não há parágrafo 
que aguente


esse excesso
de maiúsculos

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

guelras










te vejo
como oceano
e nada alcanço se não 
a superfície que espelha
sol e barcos


me escapam os corais
seus aquários luzentes 
onde segredos trafegam
na fuga dos polvos
seus tentáculos


o que reside
em teus abismos?

tuas marés:
efeitos da lua
dos relevos abaixo? 

tuas correntes dispersam
nichos ou fecundam
fêmeas machos?


quisera saber de tua atlantis
teus papiros cítaras 
quietas 


mas nada me cabe a não ser
estas ondas lascivas
derivas


e se me afogo nas águas rasas
não mereço ainda
as guelras



terça-feira, 2 de outubro de 2012

aqui




sempre morro
ao meio

ao longe uma criança acena
convoca  meus cavalos que tropeçam
covardes silentes
amargos


almejo a nobreza
do ponto que encerra
reticências vírgulas


estou onde me escapa
o senso da partida mas não
alcanço um suspiro
nenhum sinal


aqui não há o migrar das aves
e por onde passo há pedras
que reconheço


e com as quais compartilho
uma vida mineral







sábado, 22 de setembro de 2012

cabelos





cachos que deslizam ao
penhasco de tuas vértebras


ondulam e desvelam
o odor de amoras que aprecio
no descer destas serras


por onde me enrosco
das paragens de tua
nuca às penugens


de tuas pétalas