quinta-feira, 11 de outubro de 2012

guelras










te vejo
como oceano
e nada alcanço se não 
a superfície que espelha
sol e barcos


me escapam os corais
seus aquários luzentes 
onde segredos trafegam
na fuga dos polvos
seus tentáculos


o que reside
em teus abismos?

tuas marés:
efeitos da lua
dos relevos abaixo? 

tuas correntes dispersam
nichos ou fecundam
fêmeas machos?


quisera saber de tua atlantis
teus papiros cítaras 
quietas 


mas nada me cabe a não ser
estas ondas lascivas
derivas


e se me afogo nas águas rasas
não mereço ainda
as guelras



terça-feira, 2 de outubro de 2012

aqui




sempre morro
ao meio

ao longe uma criança acena
convoca  meus cavalos que tropeçam
covardes silentes
amargos


almejo a nobreza
do ponto que encerra
reticências vírgulas


estou onde me escapa
o senso da partida mas não
alcanço um suspiro
nenhum sinal


aqui não há o migrar das aves
e por onde passo há pedras
que reconheço


e com as quais compartilho
uma vida mineral







sábado, 22 de setembro de 2012

cabelos





cachos que deslizam ao
penhasco de tuas vértebras


ondulam e desvelam
o odor de amoras que aprecio
no descer destas serras


por onde me enrosco
das paragens de tua
nuca às penugens


de tuas pétalas





sexta-feira, 14 de setembro de 2012

pudor

PUDOR


há fendas
por onde sibilam
segredos


nelas cacos
que cortam aortas
e esfarelam ossos


tudo posto em vasos
se confundem lá os 
restos nossos 


à espera 
de um gato preto
que nos redima


da falta de pecado

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

cinematográfica




ela é
um cinema

me enveredo
em seu enredo

mas me perco
a cada cena

ela é sempre
uma estréia

e nós apenas
sua platéia




                 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

conflitos

[dos conflitos]


quando
os dentem falam

a boca
é quem sangra

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

atalhos

[dos atalhos]


se os atalhos
fossem fáceis



há muito
seriam estradas