sexta-feira, 20 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

cais


 


ela lá fora
navega rumo
aos meus olhos

atrás deles
preparo o cais
a postos as palavras
que mais gosta

gasto cada
gota de veludo para 
acirrar tuas unhas
e ajeito afetos 
em lençóis 
de linho

para que ela fique
sempre em mim
de vento em
prosa




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

adjuntos






calaram  
nossos silêncios

agora
tateamos
adjuntos que
recordem gestos

éramos pertos
sem a tradução
da pele

nossos pelos
decifravam afetos
os lábios o melhor  
assunto

um ao outro  
contávamos mitos
pelo brilho das
pupilas

e a língua
servia somente a fins
incomunicáveis

tudo não era
tanto assim

a cada palavra
calávamos mais
enfim

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carochinha




Andou, andou e nada aprendeu.
Persistiu no acerto e se f...





quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

side by side




não brigo mais comigo
sou um péssimo
inimigo





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

ponto e pronto









escorregou no
ponto final

nasceu
uma vírgula



sábado, 7 de fevereiro de 2015

geometrias






a menor distância entre
um homem e uma mulher
é uma curva

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

farewell






Há dias que permanecem durante anos,
por pura falta de um boa-noite.







quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

adivinha

           

Às vezes, chega chutando portas
outras como pluma, caindo
em meia-lua. Quase sempre avisa.
Mas é preciso bons ouvidos,
tímpanos que ouçam para 
dentro da aorta.

Quando não, são águas no pescoço,

ou quem sabe, a luz de um parto.
Tem gente que o chama em
sussurros, preces, até aos berros.
Tem gente que o espanta, com
medo do estrago.

Alguns são para sempre e

fincam sementes. Outros são
para sempre momentaneamente.
Tem ventania e tempestade, enseadas
e oceanos, doces e salgados.

Aqueles que acontecem entre paredes,

aqueles que lotam estádios. Uns vem 
com chicote e algemas, assim como
há os de flores e poemas.

Alguns seguem em frente,

outros para trás.
Alguns exigem tudo,
outros nada mais.   


road





Olhou para um lado, olhou para o outro. Mas nunca chegou do outro lado da rua. Esqueceu-se de olhar para frente.



Olhou para um lado, olho para o outro. Mas nunca
chegou do outro lado da rua. Esqueceu-se de
olhar para frente.

balboa







Às vezes, quando a gente quebra a cara,
nosso rosto fica mais bonito.


*


O bom de quebrar a cara é 
desapegar do próprío nariz





terça-feira, 27 de janeiro de 2015

somewhere




Quando fazemos planos
chegamos ao lugar previsto, 
mas nem sempre ao correto.

just in love






























Quando tudo está perto, os segundos

aumentam. Na iminência do encontro, há um
instante de eternidade. Uma vida longa
se faz de pequenos infinitos.




euclidiana



Quando dois se tornam um,
ficam sós novamente




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

arrozais





esta noite estou cansado
mas pleno de certezas
plantei o quanto posso
raízes  pássaros
poemas

sem pena das falanges
algum peso nos
meus ossos
plantei demais
rolou até edemas

esta noite estou cansado
mas feliz porque
fiz o que quis
porque foi
um tanto antes
e não o sempre para depois  

(olha aprendi
um dia não são dois)

esta noite
meu cansaço é alfazema
campos de arroz



alguém







 




que esteja comigo
com certeza
não pela metade

que aguente 
correr os riscos
relvas outras

paragens
que se disponha
aos rabiscos

às rasuras
em busca de
nosso verso

alguém que 
não seja 
apenas  perto

ou somente parte
alguém que
não seja

somente certo
mas verdade

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

acenos










o mesmo rosto
mas não a conheço

mudou quem me vê
por trás dos olhos
de todo dia

foi embora
sem despedidas
sem mais nem menos

sequer
um aceno

quinta-feira, 28 de março de 2013

inflados




não há parágrafo 
que aguente


esse excesso
de maiúsculos

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

guelras










te vejo
como oceano
e nada alcanço se não 
a superfície que espelha
sol e barcos


me escapam os corais
seus aquários luzentes 
onde segredos trafegam
na fuga dos polvos
seus tentáculos


o que reside
em teus abismos?

tuas marés:
efeitos da lua
dos relevos abaixo? 

tuas correntes dispersam
nichos ou fecundam
fêmeas machos?


quisera saber de tua atlantis
teus papiros cítaras 
quietas 


mas nada me cabe a não ser
estas ondas lascivas
derivas


e se me afogo nas águas rasas
não mereço ainda
as guelras